Constrangimento nem sempre é ruim

03/06/2020

THE OFFICE

     Quando se trata de séries, prefiro as de humor por serem mais dinâmicas, por encerrarem a trama principal de cada episódio em apenas 20 minutos e, convenhamos, quem não gosta de rir? Faço parte da geração que cresceu vendo os clássicos Seinfeld (voltada mais para o politicamente incorreto dos anos 1990) e Friends (série que chega a dar aquele aconchego no coração). 

     Após essas duas pioneiras do sitcom, foi fácil achar uma fórmula de sucesso para comédia televisiva. Nesse âmbito, alguns produtores criaram quase que "fábricas" de seriados de humor, com temáticas diferentes entre si porém com uma mesma linha aparente por trás: vide Chuck Lorre (criador de Two and a Half Men, The Big Bang Theory, Mike e Molly e tantas outras) e Michael Schur (Parks and Recreation e Brooklyn Nine-Nine). E o que isso tem a ver com o título do post?

     Bem, ainda me findando em Mike Schur, ele também participou da criação de alguns episódios da série The Office (versão americana, da foto ao lado), na qual ainda atuou como o esquisito personagem Mose, e é aí que nosso papo efetivamente começa. 

     Vi quase toda a série alguns anos atrás, mas não finalizei por motivos idióticos (a entrada do ator Will Ferrell na 7ª temporada, o que para mim foi extremamente irritante). Porém, em tempos de quarentena o que não faltou foi tempo livre, então resolvi rever tudo desde o início.

     Para quem não conhece, a série mostra o dia a dia de uma empresa que comercializa papel chamada Dunder Mifflin. A história é apresentada do ponto de vista de uma equipe de filmagem que acompanha os funcionários para a produção de um documentário, quebrando a barreira com o telespectador. A série foi ao ar entre 2005 e 2013, em 9 temporadas, e é estrelada pelo brilhante Steve Carrell, que inclusive ganhou um Globo de Ouro por sua atuação. Nem preciso dizer que ele dá o tom da maior parte da série. 

     Carrell é Michael Scott, o chefe da regional de Scranton (uma pequena cidade da Pensilvânia) que quer desesperadamente ser aceito e amado, porém fala tudo o que pensa, sem filtro. Ele representa o clichê do norte-americano desinformado, que "solta" todos os tipos de estereótipos pois não tem conhecimento sobre temáticas importantes. Resta aos funcionários apontarem seus erros, ensinando também a quem assiste.

     Michael é o pivô de situações incrivelmente constrangedoras, podendo parecer forçado que uma mesma pessoa cometa tantas gafes, e é exatamente esse o objetivo. Se observarmos o início de cada situação, antes de escalarem a resultados absurdos, vemos que elas são mais comuns no dia a dia do que reparamos. Por isso, rever a série em 2020 me fez perceber o quanto ela se mantém atual. Ela trata de temas como bullying, gordofobia, feminismo, movimento negro, homossexualismo, alcoolismo,  abandono, entre outros, sempre com o intuito de ensinar o porquê de suas falas serem erradas ou até mesmo graves.

     Algumas situações causam verdadeiro nervoso e até mal-estar por beirarem o extremo do constrangimento, porém a série vale muito a pena uma vez que você entende o objetivo para isso. No final das contas, um pouco de constrangimento não é tão ruim assim.

The Office está disponível no Amazon Prime.